A iguaria paraibana queijo Bola do Lastro conquistou mais um selo com o registro do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e cumpre mais um passo para expandir sua comercialização além terras paraibanas. De acordo com o produtor Renato Almeida, em entrevista ao ClickPB, neste sábado (13), a técnica centenária alemã adaptada ao leite sertanejo, que conquistou o paladar de centenas de famílias, iniciou com 30 unidades, passou a 300 unidades e deve chegar a 1000 unidades ao mês nos próximos anos.
Para cada peça, são necessários 15 litros de leite de vaca, além da maturação que pode durar mais de 30 dias. Artesanal, a iguaria já tem a certidão de Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado da Paraíba, conquistada em 2025 na ALPB. Além de seguir os padrões sanitários exigidos com rigor, a obtenção dos demais selos garante a inserção em novos mercados para além das fronteiras locais e nacionais.
“Atualmente a produção é insuficientes para a alta demanda que temos”, disse Renato ao comemorar a expansão da marca. Além da emissão do registro nº 001, conforme obtido pelo ClickPB, também foi aprovado o projeto da primeira fábrica artesanal padronizada do Queijo Bola do Lastro “as obras já começaram e devemos inaugurar a fábrica em dezembro desse ano”. Para ele, a iniciativa permitirá ampliar a produção sem perder a tradição e as características que fizeram do produto uma referência dentro e fora da Paraíba.
Apesar da tradição, o segredo do preparo segue mantido em sigilo, reforçando o caráter único do produto. A iguaria inicia uma nova etapa de valorização, incentivo à economia rural, geração de oportunidades e preservação de uma história construída ao longo de gerações.
Queijo Bola do Lastro
Receita famíliar, produzida há mais de 100 anos no município de Lastro, no sertão paraibano, a iguaria se tornou símbolo da cidade e hoje é reconhecida nacionalmente pelo sabor, pela tradicional casca vermelha e pela história que carrega.
A tradição familiar centenária tem sua produção desenvolvida de forma artesanal, sem adição de conservantes na Queijaria Dona Nenega, que tem à frente do negócio o empreendedor Renato Almeida. “O queijo era produzido antes apenas para o consumo da família e de vizinhos que moram na cidade, mas depois ganhou repercussão e se tornou um símbolo de autenticidade por sua produção artesanal. Logo o queijo ficou conhecido pela qualidade e sabor”, afirmou.
Renato Almeida revela que a origem do queijo bola do Lastro surgiu da passagem de um padre alemão, que cumpriu missão religiosa no sertão. Os processos de produção, segundo ele, eram típicos da tradição germânica e foram adaptados às condições da cultura local e ao leite produzido por vacas.
Medalha de ouro
O queijo bola de Lastro conquistou a medalha de ouro no 3º Concurso de Queijos da Paraíba, competição que aconteceu como parte das atividades do 2º Salão do Queijo da Paraíba, realizado na cidade de João Pessoa, em 2025. O evento foi promovido pelo Instituto Social do Queijo (Isaque), com apoio do Sebrae, Sistema Faepa e Senar e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Produtores e especialistas da cultura queijeira de todas as regiões do estado estiveram presentes acompanhando o momento.
PATRIMÔNIO
Por seu valor cultural, histórico e econômico, a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) aprovou por unanimidade, o Projeto de Lei 2.446/2024, de autoria do deputado Jutay Meneses (Republicanos), que reconheceu o queijo bola do Lastro como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. O queijo integra oficialmente o patrimônio imaterial do estado, consolidando-se como um dos maiores símbolos da tradição queijeira.
Fonte: ClickPB




