Operação mira grupo de apostas esportivas que movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2025 e cumpre mandado na Paraíba
Operação investiga suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Um grupo empresarial responsável pela exploração de uma plataforma de apostas esportivas que movimentou mais de R$ 5 bilhões somente em 2025 é alvo da Operação Jogo de Sombras, deflagrada nesta sexta-feira (28) pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Receita Federal.
A operação investiga suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas à exploração de apostas.
Por determinação judicial, estão sendo cumpridos 6 mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Recife e São Paulo. Também foram determinadas medidas para apreensão de bens e valores.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF e conta com a participação de procuradores da República, policiais do MPF, peritos e servidores da Receita Federal.
Investigações
Segundo os investigadores, o grupo teria criado uma empresa de fachada em Curaçao para dar a aparência de que a operação da plataforma ocorria fora do Brasil antes da regulamentação das bets.
A apuração, no entanto, aponta que empresas brasileiras ligadas ao grupo seriam as responsáveis pela operação da plataforma em território nacional.
Os investigadores também identificaram indícios de movimentações financeiras entre o Brasil e o exterior por meio de instituições de pagamento e operações estruturadas.
Parte dos recursos teria retornado ao país posteriormente como pagamentos por supostos serviços. A suspeita é de que esse mecanismo pudesse ser utilizado para dar justificativa à entrada no Brasil de valores anteriormente enviados para fora.
Outro ponto que chamou a atenção na investigação é a possível utilização de “contas bolsão” mantidas em fintechs.
Segundo o MPF e a Receita Federal, essas contas poderiam dificultar o rastreamento do caminho percorrido pelo dinheiro e a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
A investigação também aponta que a exploração das apostas poderia ter começado antes da regulamentação do setor, ainda sem autorização e sem o recolhimento dos tributos que seriam devidos.
Os investigadores buscam esclarecer, inclusive, se os recursos utilizados posteriormente para o pagamento da outorga da plataforma tiveram origem em atividades desenvolvidas antes da regulamentação.
Suspeitas continuam após regulamentação das bets
As apurações não se restringem ao período anterior à regulamentação. De acordo com os órgãos, estruturas utilizadas anteriormente podem ter sido adaptadas para continuar permitindo supostos mecanismos de sonegação fiscal mesmo depois da entrada em vigor das novas regras.
Entre os fatos investigados está a possível declaração ao Fisco de despesas fictícias, que poderiam ter reduzido indevidamente os tributos devidos a partir do ano-calendário de 2025.
Segunda operação contra irregularidades em bets
A Operação Jogo de Sombras é a segunda ação de grande porte realizada neste mês com participação do MPF e da Receita Federal para investigar irregularidades tributárias e financeiras no mercado de apostas.
No dia 13 de agosto, a Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados. Na ocasião, a Justiça autorizou a apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão.
Agora, os investigadores vão analisar o material apreendido para aprofundar a apuração sobre os fluxos financeiros no Brasil e no exterior, a origem dos recursos, possível omissão de receitas e a identificação dos beneficiários efetivos das operações.
Fonte: ClickPB






